Renovação de Linguagens em Museus e Centros de Ciências: o caso do Museu da Vida

Imagem e Cultura


Esta tese se situa em uma vertente eminentemente qualitativa e interpretativa,
procurando identifi car, no campo da alfabetização, divulgação, popularização, compreensão
pública da ciência e, em especial, no novo museu, que peso a informação
em modo não textual assume na exposição científi ca. Para tanto, foram realizados
estudos teóricos com a revisão da literatura que têm conexões com o tema, em
uma perspectiva eminentemente transdisciplinar, com suas complexidades inerentes,
procurando reconhecer correlações, propor associações, analogias, com vistas a um
conhecimento integrador, unindo ciência, arte, design, estudos culturais e disciplinas
próximas, para contextualizar e englobar. Melhor conceituando o tema, teoricamente,
quanto às suas conexões com diversos campos do conhecimento, foram realizados
estudos de comunicação, linguagem, código, Gestalt, semiótica, ciência, arte e design;
como arcabouço geral, para depois entrar em especifi cidades relacionadas com a divulgação
científi ca, os museus, os aspectos históricos, chegando às coleções e seus
desenvolvimentos no tempo, para desembocar em uma discussão a respeito das exposições
científi cas.

Ao fi nal, no estudo de caso, além do estudo documental e teórico, adotaram-se
procedimentos de observação participante, resultando em uma vivência relacionada
com a perspectiva de mudança em um dos espaços constituintes do Museu da Vida,
no prédio da Cavalariça (integrante do Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos),
na Fiocruz. A desativação do antigo espaço da exposição de longa duração da
Biodescoberta, para reforma e recuperação do prédio histórico, possibilitou a mudança
completa no conceito geral da exposição. O desenrolar das reuniões da equipe
designada para elaborar essa mudança, a nível conceitual, pôde ser acompanhado.
Ainda, como suporte de maior consistência à referida orientação qualitativa, foram
feitas entrevistas com indivíduos portadores de repertório (incluindo vivências) muito
signifi cativo relacionado com a concepção de exposições de cunho técnico científi
co, alguns deles relacionados diretamente com a concepção, o desenvolvimento e a
implantação da antiga exposição de Biodescoberta, central no meu estudo de caso.
Nas concepções dos museus na contemporaneidade, as novas tendências se
contrapõem a uma visão conservadora e elitista. O museu hoje deve ser encarado
como uma instituição que, além de suas funções de preservar, conservar, pesquisar,
comunicar e expor, visa ainda estar a serviço da sociedade, e se volta para o estudo, o
lazer e a educação.

A abordagem de um caso brasileiro, o Museu da Vida, permitiu a sua análise
crítica, a discussão quanto a aspectos históricos e as relações com a Fiocruz. Certos
aspectos dessa nova concepção, que aponta para uma nova visão da ciência, a visão
sintética, a visualidade, a escrita espacial, e a valorização dos processos participativos
e da interatividade, puderam ser vislumbrados. O estudo para um novo espaço expositivo
no Museu da Vida, com base em sua primeira exposição permanente (Biodescoberta),
que já na sua época era uma proposta transdisciplinar e integradora, levou a
indicações quanto ao que pode ser reconfi gurado e o que pode ser proposto, com diretrizes
que tomam como base o pensamento visual e as propostas de R. Arnheim.

Tese Luiz Antonio Saboya 2016