SUA VÓ NEM TÁ TÃO MALUCA ASSIM

O enquadramento de indivíduos, à partir da rubrica dos “Marcadores Sociais da Diferença” (Classe, raça,  gênero, geração, etc.), indica uma complexa e intrincada articulação de camadas de compreensão da vida cotidiana. Qual imagem construímos de nós mesmos para nós mesmos? E para os outros? E qual a função dos mecanismos de distinção utilizados? Mais que isso, qual o nosso poder para mudar preconceitos? Esse trabalho é uma tentativa de reflexão sobre as “Representações Sociais” construídas no embate de tensões identitárias, no confrontamento das diferenças. Ainda que o gatilho tenha sido o funk carioca, no qual a cantora questiona a sanidade da avó por ter comprado uma peruca (com a casa no tijolo e a geladeira pura), o alcance vai para muito além da compra do artefato. Toca em questões sensíveis no Brasil como: (1) a legitimidade do funk como música popular brasileira, (2) a negritude, (3) a estética do embranquecimento, (4) o envelhecimento, etc. Talvez essa avó não estivesse tão maluca assim! Talvez ela tenha tido total consciência do que se coloca em jogo e, de fato, tenha calculado bem a própria escolha.
MF | Marcelo Franco
Título: Sua vó nem tá tão maluca assim!
Série “Marcadores Sociais da Diferença”
Instalação em gesso, objetos do cotidiano e “Representações Sociais”
Rio de Janeiro | Dezembro de 2018
Publicado por em 7 de dezembro de 2018.