Contagem regressiva para os 200, começando ao contrário: artistas formados pela Escola de Belas Artes, de 1975 à atualidade

História e Crítica da Arte

Integrantes relacionados:
Ivair Reinaldim

O presente projeto insere-se no campo de pesquisa voltado para a história do ensino artístico e dos artistas formados pela Escola de Belas Artes da UFRJ; contudo, ao invés de focalizar o século 19 e os primeiros anos do século 20, recortes privilegiados por grande parte dos pesquisadores voltados para o assunto, dedica-se, sobretudo, ao período compreendido entre as três últimas décadas do século 20 e as primeiras do século 21 – a partir da transferência da EBA para o campus da Cidade Universitária, em 1975.
Vindo ao encontro das comemorações dos 200 anos da EBA, em 2016, o projeto propõe uma contagem regressiva ao contrário, partindo do contexto contemporâneo para, desse modo, ampliar o escopo das pesquisas voltadas para a história da Escola de Belas Artes, uma vez que o período recente acaba por vezes constituindo-se como lacuna na historiografia em questão. Objetiva-se, mais especificamente, analisar a importância da EBA – seja por meio de seus cursos de graduação seja em relação às linhas de pesquisas Linguagens Visuais e Poéticas Interdisciplinares, do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais / PPGAV – na formação de artistas no Rio de Janeiro, sobretudo aqueles cujas trajetórias apresentam destaque no meio artístico local e brasileiro.
Ao circunscrever esse contexto recente da Escola, este projeto não pretende se dedicar ao ensino artístico propriamente dito, mas investigar as contribuições, contradições, idiossincrasias e experiências relevantes, que podem ter ocorrido no processo de formação dos artistas selecionados no período em que frequentaram a Escola de Belas Artes, possibilidade de embasamento para a construção e desenvolvimento de suas trajetórias artísticas.
A pesquisa tem como hipótese – levantada a partir de constatação da professora emérita Sonia Gomes Pereira e de diálogo frutífero com a mesma – a afirmação de que, mesmo a EBA sendo comumente considerada uma escola marcada pela tradição, no sentido plural do termo, com abordagens de ensino nem sempre voltadas para a formação em arte contemporânea, desde sua transferência para o campus da Cidade Universitária, tem formado artistas de grande relevância no cenário carioca e brasileiro, muitos deles tornando-se posteriormente professores (artistas-professores, cabe reforçar) nas principais escolas da região (UFRJ, Uerj, UFF, EAV-Parque Lage).
Justamente o destaque alcançado por esses artistas vem atualizar o papel e a imagem da Escola no contexto atual, contrapondo-se à visão passadista que o termo “Belas Artes” carrega; isso em uma nova conjuntura, uma vez que a EBA apresenta-se como mais uma opção na formação de artistas entre outras tantas disponíveis (diferentemente do monopólio que exerceu no passado, quando a Academia era por excelência a instituição responsável pelo ensino artístico no Brasil).
Por fim, com a constante renovação do quadro discente da Escola de Belas Artes, torna-se importante promover o conhecimento e contato das futuras gerações de artistas e historiadores da arte com aqueles que passaram pela EBA nas últimas décadas, de modo a constatarem que, para além de seus aspectos históricos, culturais, antropológicos, folclóricos, etc., a Escola também possui uma forte e relevante cena de arte contemporânea.