Lygia Pape e a construção da imagem na arte. A transversalidade entre sua filmografia e os Livros.

História e Crítica da Arte


A arte é a minha forma de conhecimento do mundo
Lygia  Pape

Lygia Pape (1927 – 2004) deixou nesta citação a epígrafe da sua obra. Durante sua rica trajetória artística fez da experimentação o seu processo criativo. Experimentou todas as linguagens para que o conhecimento do mundo se apresentasse enquanto poética e vida em sua arte. Os primeiros cartões, desenhos e joias que produziu, ainda na década de 50 de um século que já não existe mais, marcaram o início de uma carreira que reconhece Lygia Pape como uma das mais importantes artistas do Brasil, cujo acervo está em grandes coleções nacionais e internacionais. Entre as linguagens temos pinturas, gravuras, livros, poemas, ballets, instalações, design gráfico, cinema… e filmes. O ano de 1962 marca a aproximação de Lygia Pape com o cinema em suas diversas possibilidades, seja no projeto gráfico de cartazes, como na elaboração de roteiro, montagem e direção, além de ampla produção de cinema autoral, trabalhando com equipamentos de 35 mm, 16 mm e Super 8.

A ampliação e busca por outros meios para a compreensão de sua arte vão ao encontro da efervescência política e a ebulição criativa da década de 60, na qual as relações entre o corpo e a obra atravessam, encontram e repensam os caminhos da fenomenologia e da arte. Assim, justifica-se a escolha dos filmes:
La Nouvelle Crèation (1967) – 50seg
O Ovo (1967) – 1min e 20seg
Divisor (1967) – 03min e 36seg
Livro da Criação (1967/2002) – 04min e 05seg
Roda dos Prazeres (1967) – 01min e 51seg

O objetivo desta pesquisa é pensar a construção da imagem na arte de Lygia Pape, em sua obra “livros” através da transversalidade com a sua filmografia e identificar os elementos de construção de seu processo criativo. Considerando que a artista produziu 5 livros – livros poema, livro da criação, livro da arquitetura, livro do tempo e livro noite e dia, serão comparadas as especificidades entre os filmes e os livros para pensar o processo fenomenológico de sua obra pela participação do expectador, através dos autores Merleau-Ponty e Didi-Huberman constituintes desta reflexão.

Observação: Este projeto é sub-projeto do projeto de pesquisa: Lygia Pape. Do neoconcretismo à contemporaneidade: transgressões e permanência.